Pesquisa relacionada a política de segurança e defesa nacional é apresentada em Conferência do King's College London

Gustavo e Claudete

O aluno de doutorado do IG Gustavo Glodes Blum e sua orientadora Claudete Vitte apresentaram no dia 28 de maio um trabalho na Conferência "The Military in Politics in Brazil", organizado pela Escola de Assuntos Globais do King's College London. O objetivo da conferência foi examinar como os militares do Brasil passaram a ocupar uma posição importante na história sócio-política do país e como isso pode ajudar no avanço dos estudos sobre relações entre civis, militares e política. Intitulado "Heirs of a(n) (e)state: Brazilian territorial integrity in some works that may influence military political involvement in Brazil", o trabalho do aluno do Programa de Pós-Graduação em Geografia tratou a respeito das diferentes ideologias geográficas que circulam em obras que influenciam atualmente a atuação de militares na política. 

“Trazendo conceitos de formação territorial e ideologias geográficas na América Latina e no Brasil, buscamos analisar três obras de ensaísmo político que são importantes para entender como determinados setores militares e políticos do Brasil enxergam o país, a sua sociedade e as características do território brasileiro”, conta Gustavo. Os pesquisadores analisaram os livros A Verdade Sufocada, de Carlos Alberto Brilhante Ustra; O Jardim das Aflições, de Olavo de Carvalho; e a coletânea de entrevistas General Villas Bôas: Entrevistas com o Comandante, organizada por Celso Castro. “Consideramos que, por terem sido escritas por militares da reserva ou pessoas com grande influência na linha de raciocínio estratégico adotado pelas Forças Armadas brasileiras, essas obras podem ajudar a compreender o que motiva os militares brasileiros a se envolverem na política nacional, análise a que se destinava a Conferência”, explica o doutorando. De acordo com Claudete, “o momento atual é muito oportuno para auxiliar na reflexão sobre os discursos e ideias que as Forças Armadas, especialmente o Exército brasileiro, apresentam na sua ação política e que, no caso, tem a ver com o território brasileiro”.

Gustavo e Claudete esperam “poder colaborar com a discussão a partir de uma perspectiva geográfica, geralmente deixada em segundo plano quando realizadas análises a respeito do tema. Recuperando a formação territorial sul-americana e brasileira, esperamos colocar em perspectiva a atuação dos militares como herdeiros do projeto colonial, indicando, sobretudo, a manutenção de perspectivas a respeito do papel do Estado brasileiro em dominar o território, incluindo-se aí a população e os recursos naturais, a partir de uma perspectiva colonial, sendo os militares os principais herdeiros desta perspectiva ideológica sobre a geografia humana e física do país”.

O trabalho apresentado na conferência faz parte da pesquisa de doutorado de Gustavo, na qual busca identificar as relações entre a ideia de segurança internacional, nacional, interna e pública de países da América do Sul com elementos relevantes de sua formação territorial. “Buscarei analisar a institucionalização do uso da violência e da exceção em desrespeito aos direitos civis e coletivos em prol da manutenção do status quo em escala nacional na Argentina e no Brasil. Compreender as percepções que se faz do território sob domínio destes países, e sobretudo do Brasil, parece ser uma parte importante da pesquisa, uma vez que a noção de segurança se pauta muito por percepções a respeito do ambiente geográfico, natural e político, que circunda as elites decisórias desta área”, conta o estudante de pós-graduação do IG.

Ainda segundo Gustavo, o trabalho pretende avançar alguns esforços da área de Geografia das Relações Internacionais, foco de trabalho da docente Claudete de Castro Silva Vitte e do grupo de pesquisa "Geografia das Relações Internacionais: Estado, Economia, Território e Integração Regional na América Latina e Caribe". “Assim, buscamos apresentar como é possível realizar uma interpretação geográfica destas linhas de pensamento e de atuação de políticas de segurança e defesa com incidência territorial no Brasil e na América Latina”, finaliza.

Por Eliane Fonseca

Fotos: Arquivo pessoal