“Atendimento educacional para pessoa com deficiência na Unicamp”. Esse foi o tema da palestra que Adriane Martins Soares Pelissoni, coordenadora de serviços da Coordenadoria de Carreiras, Egressos e Vida Estudantil da Diretoria Executiva de Apoio e Permanência Estudantil (DEAPE) da Unicamp, apresentou na quarta, 20, para a comunidade do IG. A Unicamp foi a primeira das universidades estaduais públicas do estado de São Paulo a adotar o sistema de cotas para Pessoa com Deficiência (PcD).
Emilson Pereira Leite, diretor do IG, lembrou antes do início da palestra que o assunto tem permeado discussões e reuniões na Unidade. “Essa é uma atividade que está dentro de um conjunto de iniciativas e atividades que pretendemos promover no IG para fomentar esse tipo de discussão - não só da questão pedagógica e educacional, mas também a questão de infraestrutura”, afirmou.
Segundo Pelissoni, a Unicamp conta atualmente com 307 estudantes com deficiência formalmente cadastrados, número que tem crescido nos últimos anos. Dentre os alunos atendidos a maior prevalência é de Transtorno do Espectro Autista (TEA) – 189. Para garantir condições de permanência e aprendizagem, a instituição estruturou o Programa de Atendimento Educacional Especializado (PAEE), que centraliza solicitações, organiza adaptações pedagógicas e estabelece diálogo direto com docentes. Em 2024, a universidade regulamentou oficialmente os procedimentos, em consonância com a Lei Brasileira de Inclusão (2015).
Entre as medidas implementadas estão a criação de planos individuais de atendimento, apoio com intérpretes de Libras, tutores acadêmicos e recursos de acessibilidade arquitetônica e tecnológica — como o laboratório de acessibilidade da Biblioteca Central, que transforma materiais em audiobooks para estudantes com deficiência visual.
Além disso, a Unicamp tem buscado sensibilizar professores e coordenadores para lidar com situações diversas, como o exercício domiciliar, destinado a estudantes afastados por motivos de saúde ou maternidade. “É fundamental que a comunidade acadêmica entenda que não se trata apenas de uma adaptação para alguns, mas de um ganho coletivo, dentro da lógica do desenho universal de aprendizagem”, destacou Pelissoni.
O desafio é contínuo: grande parte de docentes da universidade já recebeu alguma comunicação sobre alunos que necessitam de adaptações. Ainda assim, ela lembra que cada caso exige soluções específicas, reforçando a importância do engajamento de toda a comunidade universitária.

Renata de Fátima Gonçalves, pedagoga; Adriane Pelissoni; Emilson Pereira Leite
Texto e fotos: Eliane F. Daré




