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IG é contemplado em chamada de Auxílio à Pesquisa Projeto Inicial π (Pi), financiado pela FAPESP

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  • IG é contemplado em chamada de Auxílio à Pesquisa Projeto Inicial π (Pi), financiado pela FAPESP
Tanzânia

Projeto é o único de ciências humanas e sociais aprovado e será coordenado por Kauê Lopes dos Santos

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) anunciou os contemplados na chamada Auxílio à Pesquisa Projeto Inicial π (Pi). De 36 propostas selecionadas, o único projeto da área de ciências humanas e sociais aprovado terá como responsável Kauê Lopes dos Santos, docente do Departamento de Geografia do IG - “Urbanização acelerada, modernização seletiva e os novos arranjos da economia urbana nas metrópoles africanas: uma análise comparativa entre Kinshasa, Lagos, Dar es Salaam, Cairo e Joanesburgo”.

A chamada do auxílio à Pesquisa Projeto Inicial π (Pi) visa apoiar projetos audaciosos de pesquisa de médio prazo (até cinco anos) com forte interação com fortes ações de divulgação científica e comunicação com a sociedade. Segundo o docente do IG, o objetivo do projeto selecionado é “analisar e comparar a organização da economia urbana em algumas das principais metrópoles africanas no início do século XXI, com especial atenção à multiplicidade de formas pelas quais se dá a difusão da modernização seletiva em um contexto de urbanização acelerada”. Serão investigadas em cinco metrópoles africanas empresas nacionais e estrangeiras mais capitalizadas que atuam em setores estratégicos como construção civil, manufatura, varejo, logística e finanças. Segundo o docente, “a agenda recente de pesquisa sobre zonas econômicas especiais tem contribuído para aprofundar a análise das grandes corporações e de sua atuação no continente africano, oferecendo um ponto de entrada privilegiado para a investigação proposta neste projeto”.

Kinshasa (Congo), Lagos (Nigéria), Dar es Salaam (Tanzânia), Cairo (Egito) e Johannesburg (África do Sul) serão as cidades objetos de estudo no projeto. “Os quatro primeiros estudos de caso foram selecionados, sobretudo, com base em projeções das Nações Unidas que indicam que, até 2070, essas metrópoles estarão entre as maiores do mundo, figurando entre as dez maiores aglomerações urbanas do planeta”, explica Santos. A seleção dessas cidades considera a relevância atual assim como o espaço que ocuparão em um cenário de reconfiguração da urbanização global nas próximas décadas.  “Joanesburgo foi incluída como contraponto analítico, por se tratar de uma metrópole já consolidada, com forte inserção nos fluxos econômicos internacionais e papel estruturante no contexto africano”, complementa o docente.

O projeto proposto dialoga com investigações anteriores de Santos, pautado na mobilização da teoria dos circuitos da economia urbana de Milton Santos. “Essa abordagem é fundamental para compreender a organização das economias urbanas nos países do Sul Global, pois permite analisar a coexistência e a articulação entre atividades econômicas que operam sob diferentes níveis de capitalização, acesso à tecnologia e capacidade institucional”, explica. 

Relevância do projeto

Do ponto de vista internacional, há estudos consolidados sobre informalidade na economia das cidades africanas desde as décadas de 1960 e 1970. O projeto aprovado na FAPESP propõe um deslocamento analítico ao enfatizar a articulação entre agentes de diferentes níveis de capitalização, superando o foco exclusivo nos setores menos capitalizados. “Essa abordagem já vem sendo mobilizada em minhas pesquisas recentes (financiadas pela FAPESP e FAEPEX), que resultaram em publicações em periódicos internacionais de referência, como Antipode e Geoforum. O presente projeto busca aprofundar esse caminho, ampliando o escopo empírico e comparativo da análise”, explica.

Já no contexto brasileiro, a relevância do projeto é ainda mais evidente: fortalecer e expandir o campo dos estudos africanos. Mesmo que presentes em diferentes áreas das ciências humanas, esse campo ainda se concentra em países de língua portuguesa, limitando o alcance geográfico desses estudos. “Acredito que o atual projeto contribui para ampliar esse horizonte, tanto ao incorporar novas realidades urbanas africanas quanto ao mobilizar um arcabouço teórico-metodológico desenvolvido no próprio campo disciplinar”, explica. 

Pesquisadores envolvidos

Além da coordenação de Kauê Lopes dos Santos, o projeto contará com a participação de quatro pesquisadores doutores na área de Geografia egressos da Unicamp e da USP, com trajetória consolidada nos campos da geografia urbana e da geografia econômica: Antônio Gomes de Jesus Neto, Cristiano Alves, Livia Antipon e Luanda Vannuchi.

Além da equipe de pesquisadores, o projeto prevê a formação de recursos humanos em diferentes níveis. “Já está prevista a participação de um estudante de mestrado, com bolsa vinculada ao projeto, bem como a implementação de duas bolsas de iniciação científica ao longo de sua execução. Esses estudantes terão inserção direta nas atividades de pesquisa, contribuindo tanto para o levantamento e sistematização de dados quanto para o desenvolvimento das análises”, afirma.

Etapas do projeto

A pesquisa será organizada em ciclos semestrais, nos quais cada semestre será dedicado ao estudo aprofundado de uma das metrópoles selecionadas. Após o estudo de cada uma delas, haverá um exercício comparativo das metrópoles analisadas. 

Além de estudos bibliográficos sobre cada cidade, estão previstas coletas de dados primários em cada uma das cidades através de entrevistas, registros escritos, documentação fotográfica e mapeamentos, que serão sistematizados e analisados. Todas as metrópoles, portanto, serão visitadas. “A previsão inicial é iniciar as atividades por Joanesburgo, seguida por cidades como Lagos ou Kinshasa. Já o trabalho de campo no Cairo tende a ser realizado em um momento posterior do projeto, considerando o contexto geopolítico mais amplo da região”, explica.

Resultados esperados

O coordenador do projeto prevê resultados em diferentes frentes que possibilitarão a articulação entre ensino, pesquisam e extensão. Prevê-se a produção de artigos científicos, publicação de livros, realização cursos abertos, assim como outras atividades voltadas à difusão do conhecimento produzido.  “Há também um impacto direto na docência, uma vez que os resultados da pesquisa deverão subsidiar a criação e a reestruturação de disciplinas, fortalecendo a integração entre pesquisa e ensino”, destaca o docente do IG. Dessa forma, o projeto busca contribuir para a consolidação de uma agenda de investigação e ensino sobre cidades africanas no contexto brasileiro.

Outros contemplados na Unicamp

Além do projeto do IG, outras quatro propostas da Unicamp foram aprovadas: Carlos Cesar Trucios Maza - Instituto de Matemática, Estatística e Computação Científica  - “Modelagem e Previsão de Medidas de Risco na Era do Big Data e da Computação Intensiva: Alta Dimensão, Alta Frequência, Aplicações e Software”; Mara Sanches Guaragna - Centro Biologia Molecular Engenharia Genética – “Abordagem Integrada com Edição Gênica e Modelos Inovadores 3D para Avaliação do Adesoma de Podócitos”; Rafaella Regina Alves Peixoto – Instituto de Química – “Estudos Avançados de Biodisponibilidade e de Especiação Química para Caracterização do Perfil Elementar de Fontes Alimentares Alternativas”; e Waldemir Francisco Vieira Junior – Faculdade de Odontologia Piracicaba – “Materiais Restauradores Bioativos e Compostos Bioinspirados: Interação com os Tecidos Dentários, Mecanismos de Degradação e Efeitos in situ/in Vivo”. 

Texto: Eliane F. Daré

Imagens: Pixabay e arquivo pessoal

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  • Kauê Lopes dos Santos em Dakar, no Senegal: África é tema de pesquisas do docente do IG
    Kauê Lopes dos Santos em Dakar, no Senegal: África é tema de pesquisas do docente do IG

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