Um trabalho pioneiro desenvolvido na disciplina obrigatória Seminários (do Programa de Pós-Graduação em Geociências) em parceria entre o docente Wanilson Luiz Silva e a coordenadora de serviços da Biblioteca Central Cesar Lattes (BCCL), Mariana Pedroso Teixeira, rendeu prêmio no 23º Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias (SNBU 2025), realizado em São Paulo. O trabalho foi premiado como Destaque no Eixo 4: Produtos, Serviços, Tecnologia e Inovação, nas mesas colaborativas do SNBU. Oscar Eliel, diretor do Sistema de Bibliotecas da Unicamp (SBU) foi quem recebeu o prêmio (foto de capa)
A parceria entre o docente e a coordenadora de serviços da BCCL começou em 2021, quando Mariana cuidava do software Turnitin, que verifica similaridades textuais (plágio). A utilização do software é obrigatória na Unicamp, que o assina por meio do SBU. Uma pesquisa realizada na Universidade em 2018 apontou que de 958 alunos ingressantes de graduação e de pós-graduação 87% não sábia o que era plágio, o que gerou certo incômodo em Mariana.
Como o uso do software se tornou obrigatório, Mariana propôs trabalhar com as boas práticas de pesquisa. As bibliotecas, além de serem guardiãs de livros, têm papel estratégico na formação dos alunos. “Nessas aulas, falamos sobre desvios de autoria, sobre a lei de direito autoral, sobre o que são boas práticas de pesquisa”, explica. “Tudo isso facilita o entendimento da comunidade para que cumpramos o nosso papel de ensinar o que é uma boa prática de pesquisa”, complementa.
Até 2025, as aulas eram divididas em dois módulos. A partir de 2026, serão três: o primeiro sobre lei de direito autoral e inteligência artificial. No segundo módulo, será apresentada a parte prática do uso do Turnitin para que os alunos entendam como funciona e como devem analisar o relatório de singularidades. Já no terceiro, o tema será o repositório de dados de pesquisa focados para o Instituto de Geociências.
“Precisamos usar a IA com bastante transparência na pesquisa porque ela pode ser facilitadora ou uma grande vilã. Se usarmos sem conhecimento de uma boa prática, ela pode criar dados errados, pode criar imagens não verdadeiras”, cita Marina como exemplo. A coordenadora da BCCL lembra que “em 2023, 10 mil artigos foram refutados e tiveram que ser retratados por uso indevido: ou criou imagem ou fabricou dados”.
Mariana também lembra que a Unicamp é responsável por 7% da publicação nacional de pesquisas no Brasil e que a Comissão de Integridade de Pesquisa (CIP) promove a cultura de integridade ética em pesquisa. “Todos nós, seja funcionário, seja docente, seja aluno, somos responsáveis por garantir que as pesquisas tenham esse cunho ético. E a aula (no IG) veio contribuir. Então, é uma parceria que tem dado certo”, avalia Mariana.
Os resultados do trabalho pioneiro desenvolvido no IG evidenciam uma redução significativa na similaridade textual dos trabalhos acadêmicos, indicando maior consciência crítica dos estudantes. Mariana acredita que possa ser ampliado a outras disciplinas em outras Unidades. “A integração entre biblioteca e docência fortalece a integridade científica e promove o uso responsável da IA na produção acadêmica”, aponta trecho do trabalho apresentado no SNBU.
Com o prêmio, Mariana garantiu sua inscrição para o 36º Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação, previsto para 2026, em Curitiba.
Por Eliane F. Daré
Fotos: divulgação IG e divulgação SBU
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Mariana Pedroso Teixeira




