Professores, funcionários e amigos de Paulo Roberto Oliveira da Silva acompanharam emocionados a defesa póstuma de sua tese em 28 de novembro, no Programa de Pós-Graduação em Geociências. Dois meses antes, ele havia entregado o texto para defendê-la em 7 de novembro. Um dia antes da defesa, Paulo foi internado e faleceu na noite de 13 para 14.
Em caráter de homenagem ao estudante falecido, a Unicamp permite que possa ser realizada a defesa póstuma (Deliberação CEPE-A-002/2025). “Achei interessante e justa esta maneira de reconhecer o trabalho do aluno falecido”, disse Giorgio Basilici, orientador de Paulo. O docente buscou ajuda da Secretaria de Pós-Graduação e, ao saber da possibilidade da defesa, não hesitou em organizar a homenagem.
Para Basilici, “a morte é sempre mais esquecida entre nós. Na cultura latino-romana existia um dia dedicado à lembrança dos mortos. Nos últimos 20 anos, a cultura capitalista e do consumismo dos Estados Unidos de América a transformaram numa festa de shopping e bares”. “Morre um colega e nem se fala dele. Parece que não existe mais memória nesse modelo de sociedade que tentam sustentar. A cerimônia serviu para dizer que existem os mortos”, complementa, surpreso com a presença de tantas pessoas na cerimônia.
A tese estará em breve disponível para consulta. Basilici recomenda a leitura de um artigo publicado em abril deste ano na revista “Palaeogeography, Palaeoclimatology, Palaeoecology”, da Elsevier, em que Paulo é um dos autores. Leia em: https://doi.org/10.1016/j.palaeo.2025.112795
Essa é a primeira defesa póstuma registrada na Diretoria Acadêmica da Unicamp (DAC). Antes dela, houve uma defesa póstuma no Instituto de Artes, que motivou a elaboração da Deliberação CEPE-A-002/2025.
Fotos: comunicação IG e Paulo Rufino
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Giorgio Basilici




