Tese orientada por docente do IG recebe premiação da CAPES

Mata Santa Genebra

Uma pesquisa de doutorado orientada pelo professor Carlos Roberto de Souza Filho, docente do departamento de Geologia e Recursos Naturais (DGRN) do Instituto de Geociências da Unicamp, foi agraciada com uma menção honrosa no Prêmio Capes de Tese 2018. O trabalho, de autoria de Matheus Pinheiro Ferreira, aluno de doutorado do INPE, foi defendido em 2017 e teve o objetivo de mapear e classificar espécies arbóreas da Mata de Santa Genebra, contando ainda com a orientação de Yosio Edemir Shimabukuro, engenheiro florestal e docente do INPE.

O mapeamento foi feito por meio do uso de dados reais e simulados de sensoriamento remoto multi e hiperespectral, ou seja, de uma imagem formada por centenas de bandas estreitas que são adquiridas de forma contínua ao longo do espectro eletromagnético. Esse processo registra a luz refletida por um objeto de forma muito precisa, permitindo a detecção de variações sutis no comportamento espectral (padrão de reflexão da luz) entre os objetos.

A obtenção desses dados é essencial por fornecer informações valiosas para ecólogos e gestores florestais, auxiliando na redução de custos com trabalhos de campo, no monitoramento da diversidade florística do dossel (estrato superior das florestas, que possui a maior biodiversidade do planeta) e na localização de árvores matrizes para coleta de sementes em iniciativas de restauração florestal.

Os dados hiperespectrais com os quais o doutorando trabalhou foram adquiridos durante uma campanha de levantamentos aeroportados que o professor Carlos Roberto coordenou em várias áreas do Brasil e que eram inéditos na época de sua obtenção. Além disso, a ideia de estudar a Mata de Santa Genebra a partir desse levantamento surgiu devido ao acervo de dados pré-existentes sobre a grande diversidade de espécies de árvores típicas da Mata Atlântica ali presentes.

De acordo com o professor Carlos Roberto, o sensoriamento remoto hiperespectral já havia sido utilizado em outros lugares do mundo, mas, na maior parte das vezes, para mapear uma vegetação desenvolvida em clima temperado e no hemisfério norte. “O trabalho do Matheus foi o primeiro de peso a ser realizado em uma floresta de clima tropical, muito mais complexa do que aquelas presentes em clima temperado. Portanto, o desafio do seu trabalho foi muito maior do que o de seus pares internacionais”.

Matheus Ferreira explica que a interação da radiação com um alvo, como vegetação, solo ou água, depende de suas propriedades químicas e físicas e que, no caso das espécies arbóreas, cada planta possui suas próprias características, que são responsáveis por produzir variações na assinatura espectral das espécies. “Entretanto, tais variações são melhor detectadas com dados hiperespectrais, visto que o comportamento hiperespectral das espécies é muito parecido”.

Carlos Roberto ainda esclarece que, enquanto especialista em sensoriamento hiperespectral e espectroscopia, seu trabalho foi orientar o Matheus nesse tema, formando uma boa sinergia entre sua especialidade e a orientação do engenheiro florestal Yosio Shimabukuro. Mas ele destaca que os méritos são do aluno, que deu solução própria à maior parte dos problemas apresentados. “O Matheus é o meu terceiro orientando de doutorado que recebe uma premiação da CAPES. Para mim, é um prazer saber que estamos participando da formação de uma nova geração de cientistas brilhantes na área de sensoriamento remoto”, comemora.

Por Paula Penedo

Imagem: Matheus Pinheiro Ferreira

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