Projetos ligados ao IG serão agraciados com o Mérito Científico

Alunos no Congresso de Iniciação Científica

Dois projetos ligados ao IG receberão em dezembro o Mérito Científico como melhores trabalhos apresentados no XXVI Congresso de Iniciação Científica da Unicamp, que ocorreu em setembro. O trabalho da aluna do curso Geografia, Lidiane Carlos Nogueira, orientada pelo docente Francisco Sérgio Bernardes Ladeira, foi um deles. A pós-doc do IG, Jerusa Schneider, que é professora colaboradora na Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo, orientou o aluno da Engenharia Química, Mário Junqueira da Costa Marques, que também receberá o prêmio.

De acordo com o professor Francisco Ladeira, a Unicamp seleciona um comitê assessor para fazer a avaliação dos trabalhos de iniciação científica – os PIBICs (Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica). “Todo ano, quando os alunos já estão em estágio final de desenvolvimento do PIBIC, eles apresentam um resumo do trabalho durante o Congresso. Esse comitê avalia os resumos e depois visitam os pôsteres, fazendo uma série de questionamentos”, disse. Dois pareceristas avaliaram o projeto de Lidiane, que apresentou o pôster “Caracterização física e geotécnica de um perfil de solo de uma vertente declivosa da serra do mar em santos, e sua influencia na estabilidade da encosta”.

Professor e aluna
Professor Ladeira e a aluna Lidiane

Lidiane fez uma análise pedológica (de solos) e geotécnica (a mecânica dos solos), analisando propriedades que visavam verificar a umidade e os limites de água necessários para o solo transitar de um estado normal para um mais plástico. O projeto está inserido num projeto maior que estuda uma área em Santos em que periodicamente ocorrem movimentos de massa. “O fator que dispara esse movimento é a chuva. Há lugares em que há movimentação e em outros não. O desafio é entender se esse solo vai ter um funcionamento plástico, se vai se movimentar e qual a quantidade de umidade necessária que o fará movimentar”, disse Ladeira. A segunda etapa do projeto de Lidiane é tentar entender a permeabilidade do solo conforme os eventos de chuva e será desenvolvida na Engenharia Civil, sob coordenação da professora Miriam Gonçales Miguel. Tal fato demonstra o viés interdisciplinar do projeto. “O Mérito prova que todo o projeto está valendo a pena porque está sendo reconhecido e que o caminho seguido está certo e vai gerar algo muito positivo”, comemora a aluna.

Lidiane
Lidiane, no Congresso

Já no projeto orientado pela pós-doc do IG, Jerusa Schneider, “Resíduos industriais para aplicação no processo de remoção de amônia como estruvita”, Mário Junqueira analisa o tratamento de efluentes sanitários, tanto esgoto como chorume gerado em aterro sanitário. “Esses efluentes têm uma carga muito concentrada de amônia. Para ter uma redução dessa concentração e evitar danos ambientais ou para a saúde pública, há um tratamento simples que utiliza reagentes químicos com magnésio e fosfato”, disse a pós-doc. Nesse processo, a amônia é removida através da precipitação química, ocorrendo a formação de estruvita, um mineral que contém magnésio, fósforo e nitrogênio - elementos essenciais para plantas e que podem servir como adubo na agricultura.

Mário Junqueira utilizou vários reagentes para verificar a formação de minerais que podem ser utilizados na agricultura. “Numa segunda etapa, ele verificou a possibilidade de baratear esse processo, procurando por fontes alternativas de magnésio e fosfato, tais como resíduos industriais em substituição aos reagentes químicos. Um resíduo utilizado foi abrucita que apresentou bons resultados, tanto na formação de estruvita como também apresentou eficiência semelhante com relação a remoção de amônia nos efluentes analisados”, apontou Jerusa. Mário agradeceu a todos que participaram do projeto junto com ele ao longo dos dois anos de Iniciação Científica. "Estou muito feliz em poder receber esse prêmio de reconhecimento", disse.

Professora e aluno
Mário Junqueira e a pós-doc do IG Jerusa Schneider

Iniciação Científica

No Congresso de Iniciação Científica de 2018 foram inscritos quase 1.500 trabalhos. Desse total, 46 foram do IG. Apenas 20 são premiados com o Mérito Científico e 20 recebem Menção Honrosa. Essa é a primeira vez que Ladeira e Jerusa têm alunos vencedores no Mérito. Para Ladeira, que já teve um aluno premiado com Menção Honrosa, “a iniciação científica é o início da carreira acadêmica. Os alunos devem experimentar para analisarem se querem ou não enveredar nessa área”. Os homenageados participarão da solenidade dos prêmios institucionais de 2018 da Universidade, que ocorrerá no dia 14 de dezembro, para a entrega formal dos certificados.

Por Eliane Fonseca

Fotos: Divulgação IG e Arquivo Pessoal