Acervo de Paleontologia do IG tem amostras de cerca de 2.4 bilhões de anos

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Fósseis são importantes evidências da vida que existiu na Terra há milhões de anos. Eles permitem um melhor entendimento da evolução dos seres vivos e do ambiente em que viviam. Seu estuda intriga e instiga pesquisadores ao redor de todo o mundo. Para manter suas características, os acervos buscam preservar os exemplares coletados em afloramentos. No IG há dois tipos desse acervo - o didático e o científico, coordenados pelas docentes do Departamento de Geologia e Recursos Naturais, Fresia Ricardi Branco e Carolina Zabini. Os acervos somam juntos 3 mil fósseis oriundos de atividades de campo ou de doações, reunidos ao longo de 20 anos.

O acervo didático é formado por exemplares que são utilizados em salas de aula, exposições e comparações. Já a coleção científica é aquela destinada a pesquisas. “Quando descrevemos uma espécie a partir de um fóssil e publicamos artigos, precisamos deixar esse material guardado porque algum outro pesquisador pode querer estudá-lo e analisá-lo”, conta Fresia. Segundo a docente, alguns exemplares da coleção científica são usados em salas de aula. “Esse fósseis precisam de certos cuidados para que não sejam degradados”, lembrou. A coleção é utilizada nas disciplinas de Paleontologia para Geologia e para Biologia, Geologia Geral e no Profis. Os alunos aprendem a identificar e distinguir os fósseis.

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À esquerda, um dos exemplares catalogados no acervo do IG. À direita, dente de um mamute.
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À esquerda, fóssil de um peixe. À direita, a carcaça de um tatu dos tempos atuais e o fóssil comparativo de um tatu primitivo

Na coleção do IG há fósseis de invertebrados, vertebrados, plantas, microfósseis com menos de 2 mm e icnofósseis, que são vestígios deixados pelos organismos pretéritos, como cabelos, fezes, pegadas e cascas de ovo. Um estromatólito de 2,4 bilhões de anos destaca-se no acervo didático. Esse fóssil é um recife formado por camadas de comunidades de bactérias, cianobactérias e arqueobacterias, que formam o ecossistema mais antigo que existe. “As bactérias são os organismos mais bem sucedidos do planeta. Nesse empilhamento, havia bactériasque faziam fotossíntese, outras não. Em outra camada, eram bactérias anaeróbias. Na outra, eram sulforredutoras. Uma aproveitava a matéria orgânica da outra.Como mexiam no Ph ao seu redor, induziam a posição de minerais, que se depositavam em cima das bactérias e formavam as camadas. As bactérias se decompunham, mas ficavam as camadas com seus formatos”, descreveu a docente.

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Estromatólito de 2.4 bilhões de anos. Os fósseis mais antigos já identificados datam de 3.2 bilhões de anos

A coleção tem um livro de tombo, numerado, com dados do fóssil, sua origem, espécie e quem o coletou ou doou. Os fósseis são identificados da mesma forma. “Todo ano o acervo é revisado para que essas informações fiquem sempre visíveis”, contou a professora. Além de Fresia Ricardi e Carolina Zabini, o técnico de laboratório Cristiano Gonçalves da Silva também zela pela manutenção do acervo. De acordo com Fresia, parte da coleção ficará exposta no IG durante a Unicamp de Portas Abertas.

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A docente Fresia Ricardi e o técnico Cristiano Silva, no acervo de Paleontologia do IG

Por Eliane Fonseca

Fotos Divulgação IG