IG obtém licença acadêmica para utilizar software MOVE

MOVE

O Instituto de Geociências (IG) obteve uma licença acadêmica para usar de forma gratuita o software MOVE, voltado para pesquisas em geologia estrutural que permite modelar e estudar a interação entre os processos tectônicos e as rochas em diferentes cenários e ambientes. O software é de propriedade da empresa escocesa Petroleum Experts Limited (Petex). O docente do Instituto de Geociências Diego Fernando Ducart é o responsável na Unicamp pelas licenças MOVE, que serão instaladas no Laboratório de Processamento de Informações Geo-referenciadas (LAPIG).

Modelos criados pelo MOVE
Modelos criados pelo MOVE

O software é destinado a professores, pesquisadores e estudantes de graduação e pós-graduação das áreas de geociências e engenharia que têm a geologia estrutural como foco de pesquisa. Segundo Diego Ducart, quem realizou todo o esforço para conseguir o software foi Felipe Mesquita de Oliveira, aluno de pós-graduação orientando do professor Alexandre Vidal que iniciou o processo em julho de 2018. Em seguida, o aluno de doutorado Oton Rubio Cunha, que também é orientado por Vidal, continuou com o processo. Participaram ainda o diretor do IG, Sérgio Salles, e o docente Gelvam Hartmann. De acordo com Oton, “dentre as características que podem ser estudadas com o software estão as relações entre os regimes de esforços e tensões e o desenvolvimento de falhas, fraturas e deformações. A suíte MOVE é composta por uma série de módulos destinados a interpretações e análises. O programa possibilita testar e validar diretamente os modelos gerados, permitindo ao aluno analisá-los detalhadamente durante seu processo de construção”.

Segundo Diego Ducart, o software também permite importar facilmente toda a informação coletada em campo com o aplicativo FieldMove, que pode ser instalado numa tablet ou celular. “O FieldMove, fabricado pela mesma empresa escocesa, é uma ferramenta que serve para coletar diferentes tipos de informações, substituindo uma bússola geológica, anotações, fotos, ou mesmo para mapear, tudo em formato digital e georeferenciado. Todas essas informações podem ser imediatamente transferidas para o software para gerar os mapas em 2D ou os modelos em 3D”, descreve o docente.

Nos últimos tempos, a integração de dados de diferentes fontes, cada vez mais diversos, complexos e pesados, tornou-se uma necessidade na geologia de forma geral. “Áreas como petróleo ou mineração estão exigindo cada vez mais este tipo de integração de dados de superfície ou de furos de sondagem, utilizando ferramentas cada vez mais robustas e precisas”, destacou Ducart. Pesquisas desenvolvidas nas últimas décadas no IG e no Centro de Estudo de Petróleo da Unicamp (Cepetro) demonstram a importância do conhecimento do regime tectônico e das características estruturais para a formação e exploração de reservatórios de hidrocarbonetos ao longo da costa brasileira, que serão beneficiadas pelo uso do MOVE. “Com o advento da nova fronteira exploratória do pré-sal, onde o desenvolvimento de falhas e fraturas tem um papel crucial na qualidade e comercialidade dos reservatórios, diversas pesquisas estão sendo desenvolvidas com o intuito de entender este regime e caracterizá-lo por meio de modelos tridimensionais. Deste modo, o uso de ferramentas sofisticadas de modelagem pode auxiliar as diversas etapas de pesquisa, gerando trabalhos de excelência acadêmica e trazendo novos frutos para o desenvolvimento do país”, aponta Oton.

O docente Diego Ducart e os alunos Oton e Felipe, responsáveis pela obtenção da licença
O docente Diego Ducart e os alunos Oton e Felipe, responsáveis pela obtenção da licença

Atualmente, vários temas de pesquisa com foco em análise estrutural estão em desenvolvimento no Instituto de Geociências, na Faculdade de Engenharia Mecânica e na Faculdade de Tecnologia, tais como modelagem geológica de reservatórios; estudos de cinturões orogênicos antigos; análises de bacias integrando trabalho de campo e afloramentos virtuais construídos com drones; análise quantitativa de depósitos fluviais através da extração de dados sedimentológicos de afloramentos virtuais, entre outros. Cinco projetos de pesquisa em desenvolvimento serão beneficiados imediatamente pelo uso do MOVE. “Com este software de vanguarda, nossas pesquisas poderão dar um salto quanto à qualidade, tendo alto impacto nas publicações, como também na capacitação dos nossos alunos com ferramentas que estão sendo cada vez mais utilizadas na indústria”, comemora Diego.

Ao todo a empresa escocesa doou 10 licenças acadêmicas das mais recentes versões de diferentes produtos (MOVE, 2D Kinematic Modeling, 3D Kinematic Modeling, Geomechanical Modeling, Fracture Modeling, Fault Response Modeling, Fault Analysis, Stress Analysis, Move Link Petrel, Move Link Open Works, Move Link GST). O custo deste pacote para uma empresa seria de £ 1.734.408,00 (libras), aproximadamente R$ 8.600.000,00.  “O IG agradece enormemente aos alunos, que tiveram a iniciativa de conseguir esta ferramenta. Todas as iniciativas dos alunos, como estas, são bem-vindas”, conclui Ducart.

As licenças acadêmicas são liberadas exclusivamente para instituições de ensino. Deste modo, os softwares não podem ser utilizados para fins comerciais, sendo seu uso apenas para fins de treinamento, pesquisa acadêmica e demais finalidades educacionais. As licenças obtidas pela Unicamp têm validade até 9 de dezembro de 2019 e podem ser renovadas anualmente, mediante o requerimento por escrito por parte da universidade. O docente Diego Ducart tem mais informações sobre o uso do software. Interessados podem devem entrar em contato pelo e-mail, diegoducartatige.unicamp.br

Por Eliane Fonseca

Fotos: Divulgação