Unicamp receberá encontro nacional sobre prática de ensino em geografia

Rafael

A Unicamp vai sediar entre os dias 29 de junho e 4 de julho o “14° Encontro Nacional de Prática de Ensino em Geografia (ENPEG): políticas, linguagens e trajetórias”. O objetivo principal é congregar pesquisadores e alunos de graduação e pós-graduação da área de ensino de geografia do Brasil, bem como professores da educação básica que pesquisam e trabalham diretamente em temáticas relacionadas à educação em geografia. O evento, que ocorre pela primeira vez na Unicamp, é organizado pelo Ateliê de Pesquisas e Práticas em Ensino de Geografia (Apegeo), do Instituto de Geociências.

Segundo Rafael Straforini, docente do IG e coordenador geral do evento, “o ENPEG traz professores e pesquisadores, alunos de graduação e pós-graduação para discutir e debater as questões teórico-metodológicas que dizem respeito ao ensino de geografia, bem como às práticas pedagógicas e curriculares que ocorrem na educação básica, no ensino superior e também fora dos ambientes formais de educação”.

Além de Straforini, fazem parte da comissão organizadora nacional os também docentes do IG Raul Amorim e Tânia Canto. Há uma comissão organizadora adjunta, composta por professores que trabalham na área de ensino de geografia, nas Unesp, USP, Ufscar, UFF, entre outras, e ex-orientandos do IG/Unicamp, a exemplo dos professores da Uneb/Jacobina.

A ideia do encontro nacional surgiu no final da década de 80 com a docente emérita da Unesp de Rio Claro, Lívia de Oliveira,  que é a primeira pesquisadora  na área de ensino de Geografia no Brasil. Cada ano o evento ocorre em uma universidade. O último foi na UFMG, em Belo Horizonte, em 2017.

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Equipe do Apegeo, que organiza o 14° ENPEG na Unicamp

Dentre os destaques da programação de 2019 apontados por Rafael Straforini, estão os grupos de trabalho (GTs) e as mesas redondas. “Esse é um evento que prioriza as apresentações de trabalhos dos participantes, que ocorrem nos GTs em três momentos do evento. Haverá apresentações orais de pesquisas acadêmicas e práticas educativas que são realizadas por professores da educação básica ou alunos de graduação que estão estagiando nas escolas da educação básica. O GT é um espaço privilegiado porque congrega todas essas experiências e reflexões”, apontou. Segundo o docente, cada grupo terá um eixo que permitirá o aprofundamento de reflexões que visa a proposição de novas questões teórico-metodológicas.

Haverá quatro mesas redondas. Uma delas tratará a trajetória do ensino de geografia desde o primeiro ENPEG.  Outra discutirá políticas educacionais. “Essa mesa é muito importante no cenário das políticas educacionais atuais, dentre as quais o ‘Novo’ Ensino Médio, que retirou a geografia como componente curricular obrigatório desse nível de escolarização,  gerando um impacto direto na formação e nas políticas públicas de educação”, disse Rafael. Segundo o docente, a mudança causará um impacto direto nos cursos de licenciatura.

Uma terceira mesa discutirá linguagens do ensino de geografia, que busca trazer para o debate as tecnologias digitais que estão cada vez mais presentes no mundo contemporâneo, tensionando o campo da didática e das práticas dos professores. “Diante de tantas tecnologias e linguagens disponíveis, como podemos trabalhar o ensino de geografia numa perspectiva que seja mais interessante para os alunos?”, questiona. Já na mesa de encerramento, haverá um debate entre a Nilda Alves, professora da Faculdade de Educação da Uerj, e Clare Brooks, da Universidade de Londres, que pesquisa a formação de professores.

O evento também terá na programação os fóruns livres, que foram sugeridos pelos próprios participantes.  Nos dias 29 e 30, ocorrerão oficinas, minicursos e trabalhos de campo. Essas atividades de campo ocorrerão na Serra de São Pedro, onde há formação de cuestas; no centro de São Paulo, para pensar as ocupações do centro, os tipos diferenciados de ocupação e como se dá a valorização do espaço urbano em uma grande metrópole; e no Parque do Varvito e centro histórico de Itu, onde serão discutidas questões relacionada ao patrimônio natural e histórico da região. “Todas as atividades de campo serão oferecidas gratuitamente aos participantes. Os interessados devem se cadastrar previamente”, informou Rafael.

Cerca de 800 pessoas de todos os estados do Brasil já se inscreveram e a perspectiva é que chegue a mil participantes.  Dos trabalhos inscritos, 485 foram aprovados após parecer de uma comissão científica. Cada trabalho passou por dois avaliadores.  As inscrições do 14° ENPEG estão abertas até o dia do evento. As mesas ocorrerão no centro de Convenções da Unicamp; os GTs no IG, no Centro de Estudos de Línguas e na Faculdade de Educação. Os fóruns livres ocorrerão no IG. Para mais detalhes acesse http://www.apegeo.com.br/enpeg2019/

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Por Eliane Fonseca

Fotos: Divulgação IG e arquivo pessoal