O objetivo desse artigo foi analisar características das Farmácias Vivas visando apontar desafios e potencialidades para fortalecer sua institucionalização e a Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos no Brasil. As Farmácias Vivas representam formas inovadoras de organização e articulação entre atores com diferentes conhecimentos e capacidades; da mesma forma, valorizam a sociobiodiversidade brasileira e contribuem na produção e dispensação de plantas medicinais e fitoterápicos junto ao Sistema Único de Saúde. Foi desenvolvido um estudo qualitativo utilizando fontes secundárias de informação para a construção de cinco categorias de análise: número total de iniciativas, tipos de Farmácias Vivas, estágios de implantação, perfil dos atores, e cadastro e autorização de funcionamento. Os resultados permitiram identificar dois elementos relevantes: diversidade nos perfis dos atores por bioma, o que favorece à adaptação a mudanças institucionais, mas também exige desenvolver estratégias que considerem particularidades locais; e um débil cadastramento e regularização dessas inciativas junto ao Ministério da Saúde, demonstrando um descompasso entre o quadro regulatório e a realidade dessas iniciativas. Identificou-se, assim, um cenário de iniciativas diversas, com potencial para contribuir para a Atenção Primaria à Saúde, mas, também a persistência de bases institucionais frágeis, o que limita sua plena implantação, consolidação e atuação.




